A Casa da Árvore

      A casa da árvore era bem diferente das demais que geralmente são construídas nos galhos, essa estava junto ao tronco de um antigo pé de canjarana com aproximadamente um metro de altura e meio de largura e dentro uma imensidão de sonhos sem possibilidades de avaliações de tão grande que era. Ao meio dia o sol era tão quente que a gente sentia o cheiro do calor e enquanto até os animais procuravam alguma sombra para descansar, um menino ia visitar a casa da árvore para conversar com os seus pensamentos.

O incrível mundo imaginário permitia que tudo fosse possível e até mesmo sonhar e viver as mais diferentes fantasias, fazia parte de um mundo em que tudo era felicidade. As vezes pequenos redemoinhos varriam o solo seco dos terreiros  e por entre as frestas das varas de marmeleiro ou dos talos de carnaúba que faziam parte da construção, a casa da árvore enchia-se de poeira quente, mas não o suficiente para afastar o sorriso daquele menino sonhador.  Pelo contrário, pegava pequenas folhas secas trazidas pelo vento e soprava para que elas voassem, para ele a liberdade era o começo da felicidade.

Sem dinheiro e quase sempre a mesma rotina lá estava ele, brincando com fruto de pereiro ou com as favas coloridas que representavam o seu imaginário rebanho. A vida simples do campo e com riquezas incalculáveis de sonhos e liberdade, a casa da árvore parecia um retiro desses em a paz é encontrada sem muito esforço. O menino cresceu e começou a percorrer o mundo, conheceu lugares diferentes, conquistou muitas coisas e algumas além do que precisava, e para não fugir a regra na nossa inconsciente ingratidão, nunca mais voltou a casa da árvore.

Hoje possivelmente ela não existe mais e está apenas na galeria do tempo, e até mesmo aquele terreno arenoso já não possa ser identificado, a única certeza é que apesar de tudo ele nunca esqueceu o clarão da lua que por entre as frestas invadia a casa da árvore. Somos assim, nômades e aventureiros e quase nunca paramos para pensar e agradecer pela a nossa felicidade, mas também somos passado, marcados pelas lembranças e saudades.

Maninho.

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