A senhora que varria as flores

     A senhora que varria as flores caídas de um jasmim manga, talvez nem pensou o quanto esse momento era sublime, se não bastasse o cheiro da mãe terra, seca ou molhada, o perfume das flores recompensava seu esforço, e a natureza mais uma vez escreve o quanto a vida é misteriosa.

Quem sabe a senhora que varria as flores, um dia em sua vida já andou sobre espinhos, e nem sabia o que a vida tinha lhe prometido, e em uma dessas tantas surpresas, hoje as flores perfumam o seu quintal, garbosas no alto dos galhos, e ostras caem para colorir o chão. É normal que ao varre-las, ela possa pegar algumas e comparar com as que estão seguras entre as folhas, desejando que elas estivessem juntas em seus cachos.

Mas independente a todo esse sentimento está o todo poderoso tempo, e a senhora que varria as flores, em um passado próximo não tinha flores nenhuma no quintal. Ah, esse magnífico tempo, silencioso e sábio, quando pensamos em concerta-lo ele nos apresenta os quadros de nossa existência, e as vezes nem falamos sobre o que queríamos falar, mesmo porque ninguém ousa desafiar ao tempo.

As elas que um dia foram belas e admiradas, caíram. Mas nem assim perderam a sua identidade, e falamos sobre a senhora que varria as flores, no alto ou no chão lembramos de sua beleza e perfume, e essas lembranças não morrem.

Assim é a vida, são momentos, e se por algum motivo estivermos no chão, não vamos perder a esperança, o vento que derruba as folhas, e o mesmo que faz elas voarem. Assim somos nós, árvores mutantes, raízes expostas, galhos quebrados, folhas ao vento, mas somos resistentes, e a senhora que varria as flores, é sábia, e não tirou a terra do caule.

É assim que vivemos, tal qual o jasmim manga, que perde algumas folhas e flores, mas nascem outras. Vivemos de renascer, a amanhã será um novo dia, de vitórias e realizações.

Maninho

 

 

2 comments

Deixe uma resposta

Seu endereço de email não será publicado.

top