Fim de tarde

      Fim de tarde, um jovem solitário caminha lentamente pela praia, a brisa marinha mistura-se ao vento frio e faz nascer um sentimento de nostalgia que invade seus pensamentos. Anda mais alguns metros e decide parar e observar a imensidão do mar. Uma pequena marola quebra junto aos seus pés, e trazida por ela uma pequena concha sem vida e com marcas profundas expondo resistência, luta, sofrimento, e a dura realidade de que o ciclo da vida acabou.

O rapaz olhou atentamente a concha presa na areia e pensou o que poderia justificar ela ter que morrer se o oceano é tão grande, e jogou-a novamente no mar. Mas um fim de tarde e o dia também estava terminando, em poucos instantes a noite chegaria para cumprir seu ciclo e também terminar.

Bem distante um farol clareava as águas escuras, um albatroz voa rente as ondas aproveitando os últimos vestígios do sol, e naquele momento místico o barulho das águas parecia entoar velhas canções, ou quem sabe até murmúrios de vidas perdidas ou de alguma criatura marinha que a natureza guarda em segredo.

O fim de tarde não é apenas um processo natural, mas também uma grande lição de vida, mostrando que existência têm seus ciclos de início e fim. Essa certeza pode mudar a nossa vida, porque se nada é para sempre, ganhar ou perder são acontecimentos conscientes e democráticos onde tristezas e alegrias fazem parte do mundo de todos.

Igual ao fim de tarde é a nossa vida, com a grande diferença da incerteza ,e talvez esse seja o grande e misterioso segredo para que possamos viver esperançosos por uma vida vitoriosa. Se a vida é longa ou curta, isso não depende doe nós, mas podemos viver intensamente cada momento, e acreditar em nosso merecimento, e que a felicidade no fim de tarde, começo da noite, durante o dia, ou qualquer hora ela se apresente, afinal a vida é um mar de segredos, e se não existir um farol, existirão as estrelas, e essas nunca se apagarão.

Maninho

 

 

 

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