O orvalho da madrugada

        O orvalho da madrugada são lágrimas geladas das fadas evanescentes, visitantes noturnas que procuram o silêncio do limiar entre a noite e o dia, para ver como somos e vivemos, e ao verem tantas perspectivas e desilusões, choram em nossos jardins com a tristeza de não poder interferir em nosso mundo.

Talvez em uma noite qualquer, elas se encontrem com a nossa fada madrinha e possam encontrar um jeito de nos ajudar, mas enquanto isso não acontece, o orvalho da madrugada continuará refletindo as estrelas, e fazendo com que as plantas e pequenos viventes noturnos agradeçam pela a sua existência.

O orvalho da madrugada talvez seja produto de uma parceria entre Nix e as fadas viajantes do tempo, uma com todo domínio sobre a noite e seus segredos, e as outras colaboradoras dedicadas as causas da vida, mas sem poderes para transformar os nossos pesadelos em sonhos reais.

Na natureza nada acontece por coincidência, para todo acontecimento existe um motivo e uma explicação. E quando o sol desponta com os seus raios dourados e aos poucos vai secando o orvalho da madrugada, ele passa uma mensagem de que um novo dia está nascendo e que tudo pode ser diferente, e quem sabe, hoje começa as nossas realizações.

Nas florestas, nos jardins, ou em qualquer lugar que chegue o orvalho da madrugada, existirá uma vida para admira-lo, até mesmo entre galhos e entradas de cavernas onde as aranhas tecem suas teias, amanhecem brilhantes com as gotinhas que a noite presenteou.

As fadas que nos visitam não escolhem palácios nem palafitas, querem apenas sorri com a nossa felicidade, mas as vezes choram  em ver amores que se desfizeram por motivos banais, desesperos com as tragédias da vida, perdas de entes queridos, separações provocadas pelo o orgulho ou ignorância, sentimentos estremecidos, choques de consciência, enfim, tanta coisa que elas não conheciam.

Antes do sol nascer, se encontrar o orvalho da madrugada, pare um pouquinho, confesse o seu desejo e faça um pedido, não se surpreenda se alguém rir porque está conversando só, talvez junto a uma gota de orvalho, esteja uma fada viajante do tempo, o invisível existe, desde que não sejamos incrédulos.

Maninho.

 

 

 

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