Era uma vez

          Era uma vez, é assim que começamos. Um caçador resolveu viajar para as cordilheiras tentando caçar um condor, depois de algum tempo localizou a ave e começou a segui-la. Em fim de tarde descobriu que ele tinha feito um ninho em uma árvore muito alta. Não pretendia matá-lo, queria capturá-lo vivo para vender a algum proprietário de zoológico.

       Na tarde seguinte construiu um esconderijo em uma árvore próxima ao ninho e começou pensar como pegar a ave. Com uma câmera especial filmava seus vôos e cronometrava e tempo de chegada e saída do ninho. Estava ali a mais de uma semana e não tinha elaborado nenhum plano que lhe desse a certeza de êxito. Uma manhã quando a ave saiu para  caçar, ele pegou um binóculo de longo alcance e começou a observar para saber se tinha algum filhote.

       Viu dois ovos, mesmo tendo o espírito de caçador, ficou com uma dúvida enorme, se desistia de capturar o condor ou se esperava os filhotes nascerem. Optou pela a segunda opção. Doas e noites passavam e ele esperava ansioso, em uma bela manhã eles nasceram. Logo após algumas horas de nascidos começou um desentendimento entre eles, brigaram entre si, até que um jogou o outro para fora do ninho. O mais intrigante foi ver a mãe condor assistir a luta e ficar paralisada, em nenhum momento interferiu, o pobre filhote que caiu do ninho, com certeza teve morte certa devido a altura.

       O caçador imaginou o quanto aquela ave adulta já teve que lutar para sobreviver, quem sabe quando era filhote também brigou por um lugar no ninho. Mas por que só podia ficar um? Quanta injustiça com o outro pequeno e indefeso. Pensei que que a natureza fosse mais solidária. Enquanto conversa sozinho, o espírito da montanha falou ao seu ouvido. O condor nasceu para ser livre, de que adiantaria os três vivos para serem capturados e perderem a liberdade? O filhote que caiu ainda teve o prazer de sentir o vento em suas pequenas asas. Para ele é mais honrosa a morte de que ser prisioneiro igual ao senhor, preso ao seu miserável instinto de destruir a liberdade e cinicamente diz se preocupar com o filhote que caiu do ninho.

       Ele estará no vale sagrado e livre. Quanto ao senhor está acorrentado a sua insensibilidade, mas ainda há tempo para quebrar suas correntes e se libertar, ainda existe tempo, senhor.

Maninho.

     

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