Em janeiro de 2024, eu disse sim. Foi o início de uma nova fase de vida. Para o Estado brasileiro, deixei de ser solitário e firmei contrato com alguém para trilhar uma jornada a dois. No aspecto burocrático, é apenas um processo com alguns números envolvidos. Na questão prática, é muito mais intencional do que isso.
Conheci a Noemi em 2021, em meio à pandemia da Covid-19. Começamos a namorar em maio daquele ano. A jornada para o namoro é de forja. Desde o princípio, aprende-se a viver com as diferenças. A princípio, são poucas (aparentemente). No casamento, é que ficam mais evidentes. É por isso que o casamento não é apenas um registro para o Estado e uma cerimônia pública numa igreja ou num salão bonito de festas. Casar-se é ser intencional mesmo em todas as diferenças e adversidades que surgirem.
Tenho certeza de que a Noemi é mais intencional e precisa ser mais disposta a me entender do que eu. Sou repleto de falhas e, por vezes, sistemático.
Poucas pessoas nos avisam dos reais dilemas em seu início. São duas culturas completamente diferentes compartilhando o mesmo teto com um objetivo em comum: fazer dar certo. Em nosso caso, para a glória de Deus.
Foi direção de Deus que tenhamos definido o texto de Colossenses 3.14 como base para o nosso convite de casamento: “Sobre todas essas coisas, porém, vistam-se do amor, que é o elo perfeito”.
Paulo escrevia à igreja de Colossos e orientava para que aquelas pessoas vivessem uma vida santa através de seus relacionamentos. Todas as circunstâncias de um relacionamento precisam ser vividas pelo aspecto do propósito: glorifico a Deus através da forma como eu interajo com aqueles que Deus colocou em minha vida. E essas interações precisam ser em amor. No casamento, isso significa diminuir as minhas vontades e possibilitar que a minha esposa seja feliz e cada vez mais aproximada de Cristo através do relacionamento. É por isso que o casamento é “nós” e não “eu”. Não caso para ser feliz, mas para ser parte da felicidade de alguém. Nem sempre isso acontece, verdade seja dita. Nos decepcionamos. Todos têm seus dias ruins.
Sempre que reflito sobre a minha condição de falho (e lembro que as pessoas em geral também falham) lembro de Efésios 4.32. Paulo nos dá uma lição sobre perdão. “Sejam bondosos e compassivos uns para com os outros, perdoando-se mutuamente, como Deus os perdoou em Cristo”. Eu devo perdoar porque um dia, sem eu merecer, fui perdoado em Cristo Jesus.
Isso ressignificou toda a minha visão do casamento. As frustrações que tive quando precisei fazer coisas que não queria ou a tristeza por não ter as minhas expectativas cumpridas foram passadas a limpo: não tenho direito de fechar a cara e ser chato. Cristo ofereceu a própria vida em meu favor. Ele ama e se sacrificou pela noiva (a igreja). O mínimo que eu devo fazer é oferecer o meu tempo, a minha energia e gastar a minha vida em prol da minha esposa. Porém, vale ressaltar que Deus não quer que façamos apenas o mínimo. Um relacionamento não é feito assim.
A cada dia, o casamento me ensina a ser mais: mais intencional, mais disposto e mais amoroso (eu tento). Admiro aqueles que chegam aos 40 ou 50 anos de casamento e transmitem uma mensagem de que valeu a pena. Para mim, o casamento é instrumento de Deus para mostrar ao mundo a ideia do legado da família. Se você ignorar as bases do legado, lhe faltará a sólida estrutura para construir a mensagem que você quer deixar no mundo.
Lucas Meloni é jornalista, pastor e colaborador do Instituto FamíliaSIM.