As Lágrimas da Montanha

      As lágrimas da montanha jorraram e se fizeram rio, preferiram percorrer o solo seco e sentirem que a vida são apenas estações mutantes muito difícil de serem entendidas. Desceram lentamente e foram absorvidas pela areia sofrida com as mudanças do tempo, com tantos obstáculos era impossível seguir em linha reta, desenharam curvas sinuosas no percurso e ofereceram a pequenas criaturas mais alguns segundos de existência.

O fim de tarde anunciava a noite, elas escorriam da montanha, acompanhadas pelos murmúrios dos viventes que habitavam nas copas das árvores, ou da tristeza de um mocho solitário quando a lua com a sua luz branca, invade as sobras e ilumina os espíritos da noite. O frio da madrugada cobria com seu manto o leito do rio, um martim pescador voava tão baixo, que as suas asas criavam pequenas marolas nas águas mansas.

Nas ribanceiras alguns peixes dormiam sossegadamente, a natureza escurecia as marginas com a sombra das árvores, oferecendo a sua interminável bondade a uma infinidade de seres aquáticos. A lua bem distante parecia beijar o rio, e uma briza fria entoava um canção que só as sombras da noite conseguiam entender, talvez fosse uma antiga lembrança para consolar as lágrimas da montanha, que já estavam bem distantes de suas nascentes.

Mesmo que algumas pedras fossem grandes demais, as pequenas correntes da água contornavam e seguiam, precisavam dar vida ao maior viveiro do mundo, a mãe terra. O sal das lágrimas da montanha, misturavam-se ao pó dos nossos ancestrais, para que a vida continuasse mágica e encantada, perpetuando o equilíbrio milenar do universo.

As lágrimas da montanha chegarão ao oceano, mas antes receberão as lágrimas do mundo, em sua incessante procura para curar a dor do espírito. Muitas delas penetrarão na terra, para alimentar o solo que sofre tanto com o nosso peso. E nós, viajantes do tempo, com certeza um dia seremos banhados pelas lágrimas da montanha. O rio não morre quando chega ao mar, morrer é impossível quando vivemos em missões transitórias.

Maninho

 

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